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Guia prático · 8 min de leitura

SBAR na passagem de plantão: o guia prático com exemplos

Passagem de plantão mal-feita é a principal causa evitável de eventos adversos em hospitais. O método SBAR padroniza a comunicação entre turnos em quatro blocos curtos: Situation, Background, Assessment, Recommendation. Este guia mostra como aplicá-lo, com exemplos por especialidade.

Por que SBAR

O problema da passagem de plantão livre

Na rotina do plantonista e do residente, a passagem entre turnos costuma ser improvisada: cada um conta o caso de um jeito, alguns pulam direto para a conduta, outros se perdem na história. O resultado é informação faltando, exame repetido e decisão atrasada.

O SBAR resolve isso impondo ordem: você sempre diz o que está acontecendo agora antes de explicar como chegou aqui, e só então propõe o próximo passo. A estrutura nasceu na marinha americana, foi adaptada pela Kaiser Permanente e hoje é recomendada pela Joint Commission e pela OMS.

O método

Os quatro blocos do SBAR

S — Situation (o que está acontecendo agora)

Uma frase. Nome, idade, leito e o problema atual. Não conte história aqui — só a fotografia do agora. Exemplo: "Sr. João, 68 anos, leito 12, rebaixamento de consciência há 30 minutos."

B — Background (como chegou aqui)

Contexto relevante: motivo da internação, comorbidades, medicações importantes, eventos do plantão anterior. Filtre o que muda a conduta — história social raramente entra.

A — Assessment (sua avaliação)

Sinais vitais atuais, exames pendentes, e a sua hipótese. Aqui você diz o que acha que está acontecendo — não é só repassar dado, é interpretar.

R — Recommendation (o que precisa ser feito)

Pendências objetivas para o próximo plantão: exames a colher, condutas a reavaliar, critérios de piora. Termine com a pergunta: "alguma dúvida antes de eu sair?"

Na prática

Exemplos por especialidade

Clínica médica

S — Sra. Maria, 74 anos, leito 8, dessaturando — SpO₂ 88% em ar ambiente há 2h.

B — Internada há 3 dias por PAC. Em ceftriaxona + azitromicina D3. DM2 e ICFEr (FE 35%).

A — FR 28, taquipneica, estertores em base direita. Suspeita de congestão sobreposta. Gaso pendente, BNP solicitado.

R — Reavaliar após furosemida 40mg EV (feita 14h). Se SpO₂ < 90% em VNI, considerar UTI. Próxima dose ATB às 20h.

Pronto-socorro

S — Homem, 45 anos, box 3, dor torácica típica há 1h, aguardando segunda troponina.

B — HAS, tabagista 30 maços-ano. Sem cardiopatia prévia conhecida. ECG sem supra, com inversão de T em parede inferior.

A — Provável SCA sem supra. AAS, clopidogrel e enoxaparina feitos. Cardiologia avisada, aguarda vaga em hemodinâmica.

R — Repetir troponina às 18h. Se positivar, ativar protocolo. Reavaliar dor a cada 30 min. Já tem leito de UCO reservado.

UTI

S — Pós-op de RVM tardio D2, leito 4, instável hemodinamicamente nas últimas 4h.

B — 65 anos, DM, doença trivascular. Cirurgia sem intercorrências. Extubado D1, reintubado há 6h por SDRA.

A — Em noradrenalina 0,4 mcg/kg/min, lactato 4,2 subindo. ECO point-of-care com VE hipocinético global. Possível tamponamento descartado.

R — Iniciar dobutamina se DC < 2,2 (Swan colocando agora). Avisar cirurgia se piora. Não extubar — sedação contínua com fentanil + midazolam.

Pediatria

S — Lactente, 8 meses, leito 2 da enfermaria, bronquiolite com piora respiratória nas últimas 6h.

B — Admitido ontem, 2º episódio sibilante. Sem comorbidades. Em O₂ por cateter 1L/min, hidratação parenteral.

A — FR 60, tiragem subcostal moderada, SpO₂ 92% com O₂. Aceitando dieta mal. Score de Wood-Downes em piora.

R — Subir O₂ para HFNC se SpO₂ < 92% mantida. Pesar a cada 12h. Se piorar tiragem, transferir para UTIP. Mãe ciente.

Anti-padrões

Erros comuns que tornam o SBAR inútil

  • Contar a história inteira no S. Situation é uma frase. História é Background.
  • Pular o Assessment. Sem hipótese, o colega que entra vai ter que refazer o raciocínio do zero.
  • Recommendation vaga. "Observar" não é conduta. Diga o quê, quando e o que fazer se piorar.
  • Passar por escrito sem conversa. SBAR pressupõe diálogo — o "alguma dúvida?" no fim não é cortesia, é checagem.

Acelere

Gere o SBAR do paciente em segundos

O modo Passa Caso (SBAR) do Handoff transforma uma foto ou texto do prontuário em uma passagem estruturada nos quatro blocos, já pronta para ler ao colega. Custa 15 créditos por geração — você ganha 45 grátis no cadastro.

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